Artigo ao Blog Help Sec - Empoderamento e Representatividade
Por Angélica Souza
Mais que um relato de vivência
acadêmica, imagino este espaço que me fora cedido como um espaço de
representatividade. A presença majoritária de mulheres e negras no curso de
graduação em secretariado executivo da Universidade Federal da Bahia é notória
e é a partir desta percepção que inicio este discurso.
Gostaria de refletir esta
trajetória tendo como referência o livro Lugar de Fala da autora Djamila Ribeiro.
Neste, ela nos convida a refletir o conceito de lugar de fala e,
principalmente, sobre a importância de nos posicionarmos de modo a fazer ecoar
a nossa voz a partir das nossas experiências e nos espaços que, por vezes, são
ocupados pelo discurso das ditas classes privilegiadas. Portanto, de início,
fica a dica desta leitura, certamente, necessária ao empoderamento de todes nós.
Fui trilhando meu caminho na
academia compreendendo que sair da zona de conforto e da omissão era
fundamental para um genuíno crescimento como pessoa e como profissional, afinal,
durante minha formação adotei como frase rema a fala do autor Jorge Lorrosa Bon
Día quando declara que “é incapaz de experiência aquele que se põe, ou se opõe,
ou se impõe, ou se propõe, mas não se “ex-põe””. Do meu lugar de fala, ser
invisível e silenciar a voz são o comportamento padrão e eu não poderia permitir
que isso se perpetuasse em minha formação profissional.
Deste modo, ao ingressar no
componente curricular ADMD09 Estágio Curricular Supervisionado, fui provocada,
pela primeira vez na universidade, a elaborar, junto com minhas colegas de
turma, um evento já consagrado por semestres anteriores e titulado como
Secretariado e Empoderamento. Evento que nos desafiava a buscar soluções e propor
ideias para sua realização exatamente a partir do nosso lugar de fala, da nossa
experiência e que de fato abordasse temáticas que nos representassem.
Apesar do medo e dos desafios,
a experiência foi espetacular; conseguimos nos engajar como equipe e com um
único propósito: arregaçar as mangas e dar o nosso melhor.
Somente após o levantamento dos
resultados sobre a entrega da tarefa, pude notar que neste componente havia
algo diferente daqueles que eu já havia cursado. Fui investigar que metodologia
era aquela que nos empoderava e permitia que nos envolvéssemos diretamente em
decisões que, certamente, evidenciaríamos em um ambiente de trabalho? E, então,
descobri! Tratava-se das metodologias ativas de ensino e aprendizagem, método
que tem como principal premissa inserir o aluno no centro do seu aprendizado,
fazendo com que ele contribua para realização de determinada tarefa a partir de
suas experiências prévias, ou seja, a partir do seu lugar de fala. Decidi
então, falar sobre o tema na elaboração do TCC e debater sobre a sua relevância
para a formação do graduando em Secretariado Executivo. Os resultados da
pesquisa mostraram que esta estratégia metodológica, de fato, contribuía para a
mobilização de competências e habilidades essenciais para a atuação dos
secretários e secretárias nas organizações e propiciavam uma formação acadêmica
ainda mais próxima da nossa realidade profissional. Reconheço que cada lição
aprendida durante a graduação foi necessária para a consolidação da minha
formação acadêmica, contudo, todas estas lições somente fizeram sentido ao
serem colocadas em prática no componente ADMD09.
Desse modo, espero poder compartilhar
este trabalho muito em breve nesta página e coloca-lo à disposição de
estudantes e profissionais de secretariado, objetivando discutirmos sobre
invisibilidade, mas também sobre visibilidade, posicionamento e
representatividade em nossa categoria.
Bacharel em Secretariado
Executivo Bilíngue - UFBA
Especialista em Metodologias
Ativas - UNASP
Secretária Executiva na empresa Mam Trust & Equity

Angélica, parabéns por sua trajetória, siga inspirando pessoas 🌻
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